Domingo, 26 de Setembro de 2021
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Geral Gestão de Galvan

Conselho apontou irregularidades em 72% dos contratos da Aprosoja

Entre contratos analisados está o firmado com a advogada Paula Boaventura, atual esposa de Galvan

04/09/2021 às 13h20
Por: Leandro Campos Fonte: Pablo Rodigo/Gazeta Digital
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Reprodução
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Ex-presidente Associação Brasileira dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja-MT) e atual presidente da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan, teve as contas do último ano de gestão reprovadas pelo Conselho Fiscal da entidade mato-grossense.

 

Dos 171 contratos daquele ano que somaram mais de R$ 18.5 milhões, 123 apresentavam irregularidades detectadas pelo Conselho Fiscal. Isso representa 72% dos contratos de 2020 da Aprosoja-MT.

 

"As irregularidades formais identificadas compreendem em sua maioria a não apresentação de Certidões Negativas de Débitos Tributários, não apresentação de contrato social e alterações das empresas contratadas, documentos pessoais dos representantes legais das empresas contratadas, contratações realizadas sem a avaliação de 03 propostas", diz trecho do relatório apresentados no dia  27 de maio deste ano e que foram obtidos pelo Gazeta Digital.

 

Só foi possível analisar os documentos para a prestação das contas da entidade, após uma decisão judicial que autorizou o acesso aos documentos pelo Conselho Fiscal, já que Galvan estaria adiando a entrega de tais documentos.

 

Entre os contratos suspeitos estaria com a advogada Paula Boaventura, que teria conseguido contratos e mais de R$ 1 milhão para prestação de serviços jurídicos.

 

Recentemente o filho de Antônio Galvan, Rafael Galvan,  acusou em um grupo de whatsapp que o contrato com Boaventura só teria ocorrido por conta de um caso extraconjugal entre seu pai e a advogada.

 

Nas mensagens em um grupo do condomínio Splendore, Rafael diz que a atual mulher do pai só teria ganhado os contratos por ser amante de Galvan.

 

"Mostre pro teu pai aonde que está essa corrupção na Aprosoja? Quero que me mostre com provas a mão", disse Antônio Galvan em resposta ao filho. Paula Boaventura chega a pedir desculpas aos vizinhos e diz que suas ações na Aprosoja não teria ilegalidades.

 

Porém, dos contratos com problemas na documentação que foram identificados pelo Conselho Fiscal estão com a advogada Paula Boaventura. Em um dos contratos jurídicos, o Conselho recomendou o não seguimento de um contrato. Porém, a gestão pagou R$ 400 mil aos advogados. O valor total chegava a R$ 8.4 milhões, já que estava previsto mais 4 parcelas de R$ 2 milhões.

 

"Com base no que estabelece o artigo nº 35 do Estatuto Social da Associação, os membros do Conselho Fiscal são de parecer que os demonstrativos contábeis que compõem ao referidos exames de contas, atendem as formalidades e a legislação que regulam tais procedimentos, exceto pelas ressalvas descritas acima e, fundamentados nessas ressalvas recomendamos a não aprovação da prestação de contas", diz trecho do parecer final.

 

Apesar do parecer contrário, Antônio Galvan conseguiu aprovar as contas através de uma Assembleia Geral que contou com cerca de 120, dos 7 mil associados. Ou seja, as contas foram aprovadas por menos de 2% dos membros da Aprosoja-MT.

 

Outro lado

 

Procurado, o presidente Antônio Galvan, que preside a Aprosoja Brasil, disse por meio de assessoria informou que não se manifestaria e que caberia à gestão atual da Aprosoja de Mato Grosso responder. A advogada Paula Boaventura não respondeu aos questionamentos.

 

O Gazeta Digital também procurou o atual presidente da Aprosoja-MT, Fernando Cadore, que na época era vice-presidente da entidade. Por meio de sua assessoria, ele informou que todos os contratos assinados e despesas foram aprovados em assembleia geral da entidade.

 

Nota de esclarecimento

 

"Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) informa que todos os contratos firmados passam por criteriosa análise de governança corporativa com parâmetros pré-estabelecidos em rigorosas normas de controle interno.

 

Além disso, todas as despesas da entidade, incluindo despesas institucionais dos diretores, passam por avaliação do conselho fiscal e auditoria contábil externa independente, sendo posteriormente aprovados pela Assembleia Geral de associados.

 

Lembra ainda que todos os procedimentos administrativos utilizados para contratações de profissionais, foram realizados nas gestões anteriores, desde a fundação da entidade. O método também continua sendo aplicado na atual gestão".

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