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Botelho detona ‘rei da soja’ e defende ‘taxação diferenciada’ aos grandes produtores

O deputado destacou que Eraí Maggi se opõe às ferrovias no Estado pois tem centenas de carretas e o poder de fretes rodoviário nas mãos.

20/07/2021 14h35
Por: Leandro Campos Fonte: Mário Andreazza/Repórter MT
Reprodução
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O deputado estadual, e primeiro secretário da Assembleia Legislativa, Eduardo Botelho (DEM) falou sobre concessão de ferrovias e industrialização na Baixada Cuiabana, durante entrevista à Rádio Capital FM, na manhã desta terça-feira (20), onde criticou firmemente a ‘ambição descomunal’ do produtor Eraí Maggi Scheffer, o ‘rei da soja’, e ainda defendeu ‘taxação diferenciada’ para produtores com ‘excessos’.

Primo do ex-senador Blairo Maggi, Eraí é apontando por ser contra a adesão de ferrovias em Mato Grosso, inclusive, contra a Ferrogrão, que deverá ser um avanço para o escoamento dos produtos do agronegócio do Estado e que vai ligar Sinop a Miritituba (PA), numa concessão de 9 anos.

Um dos motivos que o empresário teria para se opor às ferrovias no Estado são as centenas de carretas e o poder rodoviário que tem nas mãos.

Botelho começou explicando que sempre foi a favor de ferrovias no Estado e que esse fato alavancaria a industrialização da Capital e toda a Baixada Cuiabana, o que contribuiria para geração de emprego, renda e ainda baratearia o transporte de produtos.

O deputado ressaltou que a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) votou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), em outubro de 2020, aprovada em primeira sessão com 22 votos, que trata do processo de exploração das malhas ferroviárias pelo Estado.

“À época dessa PEC muitos foram contra e disseram que não podia, inclusive, recebemos até ligação do Ministério dizendo que era ilegal. A Assembleia de Minas Gerais entrou em contato pedindo cópia da PEC. Encaminhamos para eles e fizeram lá. O governador Zema já fez concessão de ferrovia lá. Saímos na vanguarda, fomos pioneiros. Fizemos o estudo de o porquê o Estado pode dar concessão de rodovia, hidrovia e por que não de ferrovia se for só dentro do Estado? Abrimos a porta para o governador Mauro Mendes, que já estava até atrasada”, disse o deputado.

Sobre o ‘Rei da Soja’, Botelho foi enfático ao afirmar que o empresário não tem nada contra Mato Grosso, porém, quer que MT continue “sendo esse lugar que ele trabalha, ganhar dinheiro e todo mundo fique submisso a ele, faz o que quer”.

Botelho ressaltou o poder que Eraí concentra nas mãos, já que hoje ele é o maior produtor de soja, algodão, milho, carne, pescado, maior transportadora, maior produtor de energia, e a concorrência desleal com produtores muito menores. Deputado colocou o empresário como ‘predador’ e destacou a ambição do agricultor.

“Daqui a pouco vai ser o maior borracheiro também, porque até borracharia vai ser dele. É isso que ele quer, tomar conta e que nós fiquemos aqui respondendo amém e pedindo as sobrinhas. Vamos entender que esses barões não pagam imposto e que continuar assim. É uma ambição descomunal e é aí que eu defendo que o Estado tem que agir. Tem que haver taxação para aqueles que têm esses excessos. Não existe país no mundo onde uma pessoa só pode plantar mais de 500 mil hectares. Ele não pode pagar o mesmo imposto do produtor pequeno que planta oitocentos, mil ou dois mil hectares, é essa a diferenciação. O custo para ele se torna mais barato, as coisas ficam mais fáceis. Essa concorrência é desleal e ele se torna um predador”, destacou.

Em seguida, Botelho fez um comparativo e apontou que a quantidade de terras exploradas por Eraí, quase 600 mil hectares, equivale ao território de um país e reforçou uma ‘taxação’ diferenciada para que tem esses ‘excessos’.

“Não existe país no mundo onde uma pessoa só pode plantar mais de 500 mil hectares. Isso é um país, equivale a um país. A Holanda, por exemplo, tem cerca de 800 mil hectares e ele tá plantando 580, 600 mil hectares de soja, de algodão. Não somos contra, mas tem que haver uma taxação diferente”, completou Botelho.

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