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Polícia Relações perigosas

Mulheres de ‘facção’ morrem mais que vítimas de feminicídio em MT

Levantamento da Sesp aponta que 47 mulheres foram assassinadas no primeiro semestre de 2021; 24 ligadas direta ou indiretamente ao mundo do crime.

18/07/2021 12h24
Por: Leandro Campos Fonte: Mário Andreazza/Repórter MT
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Estatísticas do primeiro semestre de 2021, coletadas pelo Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso (Sesp/MT), mostram que houve mais homicídios de mulheres envolvidas com facções criminosas, tráfico de drogas e crime em geral do que casos de feminicídios, em Mato Grosso.

De acordo com os números, 47 mulheres foram assassinadas no primeiro semestre, de todas as idades, o que representa queda de 6% em relação ao ano anterior. Em números absolutos, representa 3 mortes a menos, se comparado com o mesmo período de 2020.

Do total de mortes neste ano, 23 mulheres morreram vítimas de feminicídio. A Sesp aponta que 2%, ou seja, que 1 mulher morreu por envolvimento direto com facção criminosa.

 

No entanto, os demais 23 homicídios são por: rixa, vingança, drogas, e casos ainda em investigação, excluído apenas motivação passional.

De forma geral, essas mortes estão ligadas indiretamente ao crime e, consequentemente, a maioria às facções criminosas, que comandam diversas comunidades em todo Mato Grosso.

O estudo é preocupante porque, apesar de o número de homicídios e feminicídios terem caído, demonstra um número maior de mulheres ligadas ao crime com participação ativa. Isso está refletido no maior número de mortes, que ultrapassou os casos passionais pela primeira vez.

De acordo com a superintendente do Observatório de Segurança Pública da Sesp-MT, Tatiana Eloá Pilger, a motivação ‘envolvimento com facção criminosa’ foi levantada a partir de janeiro deste ano (2021), devido à percepção do maior envolvimento de mulheres com o crime.

 Um ponto importante a ser ressaltado é o fato de que muitas acabam envolvidas no crime organizado por se relacionarem amorosamente com membros de facção e acabam fazendo parte, às vezes, sem perceber. “Quando viu, já estava”.

“Temos percebido, nos últimos anos, um aumento do envolvimento de mulheres com organizações criminosas. Como consequência disso, têm sido registradas mortes em função desse envolvimento, algumas vezes por participarem de fato de uma facção e outras vezes por se relacionarem com membros de facção, e acabam também sendo vítimas. Achamos esse fato muito relevante, então a partir de janeiro deste ano, passamos a acompanhar”.

Das 47 mulheres mortas de janeiro a junho deste ano, 18 foram assassinadas com uso de arma branca, como faca, facão, canivete, entre outros. 10 foram vítimas de arma de fogo.

Outras 10 mulheres morreram por meios aleatórios; 4 por armas contundentes, como marreta, pá, entre outros que podem causar lesões fatais; outras 4 foram vítimas de agressores que utilizaram apenas de força física para matar e 1 caso de atropelamento proposital.

 

Sobre os feminicídios, o levantamento do primeiro semestre deste ano mostra uma redução de 30%, já que no mesmo período do ano passado 33 mulheres morreram em decorrência de crime passional.

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