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PolíticaMT Após pedido da OAB

Deputado nega homofobia e alfineta Capataz: “Não agredi esposa”

Ordem dos Advogados pediu que Assembleia abra processo por quebra de decoro contra deputado

02/06/2021 10h20
Por: Leandro Campos Fonte: Cíntia Borges/Mídia News
Foto: Angelo Varela/ALMT
Foto: Angelo Varela/ALMT

O deputado estadual Gilberto Cattani (PSL) usou a sessão legislativa da última terça-feira (1) para se defender das acusações de que seria homofóbico, por conta de uma publicação feita nas redes sociais em que diz que "ser homofóbico é uma escolha. Ser gay também".

 

Cattani também alfinetou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - seccional Mato Grosso, Leonardo Campos, o Léo Capataz, autor de um pedido para que a Assembleia o investigue por quebra de decoro parlamentar (leia mais abaixo).

 

“Eu tenho sido tachado de homofóbico por uma opinião que expressei. Opinião baseada na ciência que diz que o ser humano nasce com cromossomos que o definem. Gostaria de dizer que a homofobia remete à violência. E não sou um homem violento. Muito menos contra homossexuais”, disse.

 

“Defenderei sempre você [homossexual] como ser humano em qualquer lugar. Você é igual a mim em tudo, mesmo direitos e deveres. Não precisa de uma comunidade a parte. Você faz parte da minha comunidade e tem meu total respeito”, emendou.

 

 

A publicação de Cattani foi vista como ofensiva pela comunidade LGBTQI+. Em sua conta no Instagram, Cattani publicou uma imagem com os dizeres: "Ser homofóbico é uma escolha. Ser gay também", antecedido pela hashtag: “Está dito moçada”. 

 

“Não agrido mulher”

 

Em seguida, o parlamentar – mesmo sem citar nomes - alfinetou o presidente da OAB, Leonardo Campos, citando que nunca agrediu mulheres.

 

Campos é autor de um pedido endereçado à presidência do Legislativo para que se instaure um procedimento na Comissão de Ética para apurar suposta quebra de decoro do deputado.

 

“Muitas vezes, as pessoas nos acusam daquilo que eles são. A mulher, principalmente a sua esposa, nunca pode ser agredida. Muitas vezes as pessoas que nos acusam fazem coisas que ficamos estarrecidos”, disse. 

 

“Sou casado há 30 anos com a mesma mulher, a Sandra, e nunca a agredi, nem fui preso por agressão. Então, defendo que todo ser humano é igual, merece respeito e deve estar livre da violência”, acrescentou.

 

Em maio de 2020, Leonardo Campos foi denunciado pelo Ministério Público do Estado por violência doméstica com agravante de abuso de autoridade. Ele foi acusado pela ex-esposa, a advogada Luciana Póvoas, de agredi-la durante uma discussão. 

 

Entenda

 

No ofício encaminhado à Assembleia Legislativa, a Comissão de Diversidade Sexual da OAB-MT afirma que a postagem de Cattani foi homofóbica e repudiada por colegas parlamentares.

 

“A postagem veiculada pelo perfil oficial do deputado apresenta graves indícios de homofobia, atitude que é crime equiparado ao racismo”, diz trecho do documento assinado pelo advogado Nelson Freitas Neto, que é presidente da comissão da OAB-MT.

 

A atual Comissão de Ética da Assembleia Legislativa é presidida pelo deputado Carlos Avallone (PSDB).

 

O ato de Cattani foi repudiado por pelo menos 16 entidades ligadas à luta LGBTQI+.

 

Além disso, o promotor de Justiça Henrique Schneider Neto, do Núcleo de Defesa da Cidadania de Cuiabá, recebeu a denúncia do Conselho Municipal de Combate à Homofobia e decidiu abrir uma investigação contra o deputado por homofobia.

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