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Justiça absolve Riva e Bosaipo por desvio de R$ 6,8 milhões na Assembleia Legislativa de MT

Decisão da Vara de Ações Coletivas aponta insuficiência de provas e aplica novos critérios da Lei de Improbidade em caso de “empresas fantasmas”.

03/03/2026 às 17h06
Por: Leandro Campos Fonte: ANA JÁCOMO DO REPÓRTER MT
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Reprodução. Os ex-deputados José Riva e Humberto Bosaipo foram absolvidos em ação que investigava desvio de R$ 6,8 milhões na Assembleia Legislativa
Reprodução. Os ex-deputados José Riva e Humberto Bosaipo foram absolvidos em ação que investigava desvio de R$ 6,8 milhões na Assembleia Legislativa

A juíza Celia Regina Vidotti, da Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, julgou improcedente a Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Estado (MP-MT) contra os ex-deputados José Geraldo Riva e Humberto Melo Bosaipo.

A acusação, que tramitava há duas décadas, investigava o suposto desvio de R$ 6.858.468,42 da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) por meio da emissão de 106 cheques para 44 empresas fantasmas ou irregulares entre junho e dezembro de 2000.

Na sentença, a magistrada destacou que a instrução processual não conseguiu estabelecer uma ligação direta entre a denúncia e os documentos anexados ao processo. De acordo com a decisão, houve uma "divergência substancial" entre a identificação das empresas citadas pelo Ministério Público e os cheques que instruíram a inicial.

"Não há nos autos documentos referentes às empresas citadas, nem mesmo sobre a constituição fraudulenta alegada na inicial. Os cheques [...] em nada coincidem com a narrativa da inicial no que se referem à numeração, valores, datas de compensação, ou seja, não há correlação entre a narrativa inicial e os documentos apresentados pelo requerente", pontuou a juíza.

Impacto da Nova Lei de Improbidade

Um dos pontos centrais para a absolvição foi a aplicação da Lei de Improbidade Administrativa. A nova legislação exige a comprovação do dolo específico, a vontade livre e consciente de alcançar o resultado ilícito, para que haja condenação.

A decisão reforçou que o mero exercício da função pública ou a existência de suspeitas não são suficientes para punir os agentes.

Analisando os autos verifico que o cerne da questão se relacionada especificamente na emissão fraudulenta de cheques com a finalidade de desviar dinheiro público. [...] Não há também como identificar alguma compensação bancária ou saques referentes aos cheques indicados, haja vista a ausência de qualquer documento neste sentido”, registrou Vidotti.

Embora Riva tenha confessado o esquema em acordo de colaboração premiada, a juíza aplicou a regra de que a confissão não vale como prova absoluta sem outros documentos que a confirmem. Sem provas físicas (como cheques corretos ou extratos bancários) para validar a fala do ex-deputado, a Justiça negou a condenação.

Sabe-se que as declarações do colaborador não perfazem prova isoladamente, devendo existir outros elementos de provas nos autos, para que o Juiz possa formar a sua convicção, sem que haja dúvida para uma condenação. As provas produzidas durante a instrução não estabelece nexo causal direto entre os fatos narrados e os documentos contidos nos autos, constatando-se desta maneira a ausência de elementos probatórios mínimos”, complementou.

Com a sentença de improcedência, os pedidos de ressarcimento ao erário e as sanções de suspensão de direitos políticos contra Riva e Bosaipo, neste processo específico, foram afastados.

A decisão ainda cabe recurso por parte do Ministério Público junto ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT).

Réus absolvidos

- José Geraldo Riva: Ex-presidente da Assembleia Legislativa.

- Humberto Melo Bosaipo: Ex-primeiro secretário da Assembleia Legislativa.

- Joel Quirino Pereira e José Quirino Pereira: Contabilistas acusados de montar as empresas inexistentes (Escritório de Contabilidade Ômega). Eles alegaram que apenas formalizavam as empresas a pedido de clientes e não eram responsáveis pela idoneidade dos documentos.

Réus que fizeram acordo e encerraram o caso:

- Guilherme da Costa Garcia: Ex-secretário de Finanças da ALMT.

- Nasser Okde: Ex-servidor do setor de orçamento.

- Cristiano Guerino Volpato: Acusado de trocar os cheques em factorings.

- Juracy Brito: Também acusado de operacionalizar a troca dos cheques por dinheiro vivo.

Processo extinto após morte das partes:

Nivaldo de Araújo: Ex-servidor do setor de patrimônio.

Francisco de Assis Rabelo: Ex-servidor.

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