21°C 28°C
Nova Mutum, MT
Publicidade
Anúncio

CNJ afasta 3° desembargador da Justiça de MT por suspeita de venda de sentenças

Investigação apontou que o desembargador Dirceu dos Santos mais de R$ 14,6 milhões das contas deles em um período de cinco anos.

02/03/2026 às 16h01
Por: Leandro Campos Fonte: Por g1 MT
Compartilhe:
Desembargador Dirceu dos Santos — Foto: TJMT
Desembargador Dirceu dos Santos — Foto: TJMT

O desembargador Dirceu dos Santos, da 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), foi afastado do cargo, por tempo indeterminado, após decisão da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), nesta segunda-feira (2).

Ao g1o TJMT informou que colabora com as investigações. A reportagem tenta localizar a defesa de Dirceu.

Segundo o CNJ, há indícios de que o desembargador teria proferido decisões judiciais "mediante possível recebimento de vantagens indevidas", com intermediação de terceiros, entre eles empresários e advogados.

A medida de afastamento foi adotada após a investigação do CNJ também apontar movimentação financeira considerada atípica nas contas do magistrado, que somaram mais de R$ 14,6 milhões em um período de cinco anos.

A investigação incluiu a quebra dos sigilos bancário e fiscal do magistrado. De acordo com o órgão, foi identificada variação patrimonial incompatível com os rendimentos declarados, totalizando R$ 14.618.546,99 em bens nos últimos cinco anos.

A análise das declarações de Imposto de Renda do magistrado também apontou evolução patrimonial descoberta nos anos de 2021, 2022 e 2023, período sob investigação. Apenas em 2023, a diferença entre o acréscimo patrimonial e os rendimentos considerados lícitos chegou a R$ 1.913.478,48, conforme o CNJ.

Em razão da gravidade dos indícios, o corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell Marques, determinou o afastamento do magistrado e a realização de diligências na sede do TJMT, com apoio da Polícia Federal.

As medidas incluem a extração de arquivos digitais e o espelhamento de aparelhos eletrônicos vinculados ao gabinete do desembargador. O afastamento é por tempo indeterminado, as investigações seguem em andamento.

 

Vendas de sentenças

 

Desde o assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, as investigações sobre um suposto esquema de venda de decisões judiciais avançaram e já resultaram no afastamento de três desembargadores em Mato Grosso e outros cinco em Mato Grosso do Sul.

Em agosto de 2024, os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho foram afastados das funções por decisão da Corregedoria do CNJ. Eles estão entre os investigados por suspeita de participação no esquema de comercialização de sentenças.

De acordo com as apurações, o Conselho identificou que os magistrados mantinham relação próxima com Zampieri e, supostamente, teriam recebido vantagens financeiras para julgar recursos conforme os interesses do advogado.

Mensagens e arquivos encontrados no celular de Zampieri, morto a tiros dentro do próprio carro, em Cuiabá, teriam revelado detalhes do esquema de venda de decisões judiciais. O material também apontaria para a existência de uma organização criminosa com estrutura empresarial, envolvida em práticas como espionagem e homicídios sob encomenda, com a participação de militares da ativa e da reserva.

Infográfico - Investigação revelou grupo de extermínio e esquema de vendas de sentença. — Foto: Arte/g1

Infográfico - Investigação revelou grupo de extermínio e esquema de vendas de sentença. — Foto: Arte/g1

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.