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Polícia Trafico

Cocaína saía de MT em caixas de frutas e embarcações de pesca

Entorpecentes eram enviados para o porto de Paranaguá e de lá para a Europa

24/11/2020 13h27
Por: Redação Hora News MT Fonte: Repórter MT
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Investigações da Operação Enterprise, deflagrada na segunda-feira (23), apontaram que a cocaína que abastecia a Europa saía de Mato Grosso camuflada em embarcações de pesca e exportação de frutas. Segundo informações da Polícia Federal, Mato Grosso figurava num dos subgrupos, junto com Mato Grosso do Sul, de onde saiam os entorpecentes que eram enviados para portos em outros estados. 

"Dois grupos fazem a logística da colocação da cocaína no Porto de Paranaguá, um grupo de logística de transporte, sediado em São Paulo, um grupo de logística de transporte aéreo sediado em São José do Rio Preto, no interior paulista, um grupo no Rio Grande do Norte especializado no envio de cocaína para a Europa através de embarcações de pesca, outro grupo, também no Rio Grande do Norte, voltado para a remessa de cocaína em meio à exportação de frutas e dois subgrupos no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul que também mandavam cocaína para Paranaguá e para São Paulo", relatou Sérgio Luís Stinglin de Oliveira, chefe dos Grupos Especiais de Investigações Sensíveis da Polícia Federal.

Em coletiva de imprensa foi divulgado que o maior alvo das investigações, que tiveram início em 2017, é um brasileiro que reside na Europa. O nome não foi revelado. Ele foi identificado através de interceptação telefônica, quebra de sigilo bancário dos investigados, as quais o apontaram como um dos líderes da organização. A partir dele, outros sete grupos foram mapeados pelos federais.

A operação, que foi feita em conjunto com a Receita Federal, contou com auxílio da Interpol, para quem a Polícia Federal emitiu oito alertas vermelhos de alvos no exterior, entre outros mandados de sequestros de bens. As transações e os bens chegam a montantes bilionários, apenas uma casa sequestrada na Espanha foi avaliada em R$ 2 milhões de euros. 

Enterprise

A PF começou montar o quebra-cabeça da Enterprise após uma apreensão em 2017, de cerca de 780 quilos de cocaína, no porto de Paranaguá (PR). Desde então, 50 toneladas da droga foram apreendidas até que a operação fosse deflagrada com alvo nos líderes da organização criminosa com extensão no Brasil e no exterior.

Os materiais apreendidos se dividem entre os portos do Brasil, da Europa e da África, tratando-se de um importante trabalho de integração entre a Polícia Federal e a Receita Federal na repressão ao tráfico internacional de drogas nos portos nacionais. Tal volume de apreensões situa essa organização criminosa como uma das maiores em atuação no país.

O esquema utilizado pelos criminosos consistia na lavagem de bens e ativos multimilionários no Brasil e no exterior com uso de várias interpostas pessoas (“laranjas”) e empresas fictícias, a fim de dar aparência lícita ao lucro do tráfico.

Cerca de 670 Policiais Federais e mais 30 servidores da Receita Federal cumprem 149 mandados de busca e 66 mandados de prisão nos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Bahia e Pernambuco. As medidas foram expedidas pela 14ª Vara Federal de Curitiba.  

Em continuidade às ações de cooperação internacional, foram expedidas, ainda, difusões vermelhas na Interpol para a prisão de oito investigados que estão no exterior, bem como a identificação e sequestro de bens em outros países. 

 

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