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Contaminação por coronavírus em frigorífico de MT é 12 vezes mais intensa que em cidade onde está instalado

Primeiro caso de contaminado no município foi em um funcionário da empresa, em maio deste ano. Agora, a cidade registra quase 500 casos confirmados.

28/07/2020 19h26
Por: Redação Hora News MT Fonte: G1/MT
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters
Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

A contaminação pelo novo coronavírus em funcionários de um frigorífico de Colíder, no norte do estado, é 12 vezes mais intensa do que a taxa de contaminação no município. Enquanto na cidade a média é de 33.438 habitantes e 498 casos da Covid-19 (1,49%), na JBS são 602 funcionários e 84 casos confirmados (13,95%).

Em nota, a JBS informou que criou um protocolo de prevenção à Covid-19 em todas as unidades, seguindo as recomendações do Ministério da Saúde.

“Entre as ações adotadas, caso um colaborador tenha resultado de teste positivo ele é imediatamente afastado até seu pronto restabelecimento. A empresa também realiza busca ativa e afasta preventivamente todos os contactantes suspeitos, além do monitoramento permanente de todos os colaboradores e sistemática desinfecção”, diz.

Sobre o processo em andamento, a empresa disse que não vai se posicionar.

O primeiro caso de contaminado na cidade foi em um funcionário da empresa, em maio deste ano, conforme dados do Ministério Público do Trabalho (MPT-MT).

Até a propositura da ação, realizada na última quarta-feira (22), eram 84 casos confirmados na JBS. Fazendo um paralelo com o boletim de casos na cidade, na época com 498 contaminados, 16,87% de todos os casos do município eram de trabalhadores do frigorífico.

Na semana passada, o MPT entrou com uma ação com pedido liminar de testagem em massa na JBS e o afastamento de todos os trabalhadores.

“Bem como outros pedidos que visam garantir um mínimo de padrão protetivo a esses trabalhadores, tal qual vários frigoríficos no Brasil têm adotado. Como adoção de distanciamento entre trabalhadores na linha de produção, adoção de equipamentos de proteção, realização de vigilância ativa e passiva eficazes”, explicou a procuradora Ludmila Pereira Araujo.

Segundo os procuradores, “a forma de transmissão do vírus, somado ao efeito ‘exponencial’ de contaminação, e, por fim, à ausência de testagem, tem o efeito de uma ‘bomba relógio’ em ambientes de trabalho”.

Além disso, a taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Colíder já chegou a 100% de ocupação.

A juíza responsável pelo caso marcou uma audiência na última sexta-feira (24), mas não houve acordo.

A magistrada, então, deu prazo até essa segunda-feira (27), para a JBS juntar documentos. Já nesta terça-feira (28), a juíza deu um despacho concluindo a ação para julgamento da liminar.

O MPT agora aguarda a decisão da Justiça.

Irregularidades

As irregularidades apontadas pelo MPT foram verificadas em documentos solicitados à empresa e em relatórios e registros fotográficos encaminhados pela Vigilância Sanitária de Colíder. A Vigilância inspecionou a unidade em três oportunidades, nos meses de junho e julho, para fiscalizar o cumprimento de uma recomendação expedida pelo MPT em abril, ainda no início da pandemia.

No último relatório produzido pela Vigilância Sanitária, é mencionada a situação de uma gestante, contaminada pelo esposo, funcionário da JBS, que teve que realizar um parto prematuro em decorrência dos agravos da doença.

O recém-nascido foi transferido para o Hospital Santa Casa, em Cuiabá. Já a mãe, que passou por um período de instabilidade, sem poder ser transportada por UTI aérea sob pena de comprometer a sua saúde, foi transferida para um hospital particular de Goiânia, mas morreu antes mesmo de conhecer a filha.

De acordo com a procuradora Ludmila, se iniciativas não forem tomadas pela empresa, mais trabalhadores serão contaminados e, consequentemente, seus familiares.

O MPT aponta, ainda, um quadro de vigilância ativa praticamente inexistente no frigorífico e falhas graves na vigilância passiva e no monitoramento por parte do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) da população de trabalhadores e de casos suspeitos.

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